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Hora de se livrar do aluguel
Enviada em: 7 junho 2009

O sobrenome não poderia ser mais emblemático. Chaves. Como as do imóvel que Rose quer comprar para finalmente sair do aluguel. Documentos em mãos, sombrinha para se proteger ora do sol, ora da chuva, a vendedora chegou cedo ao Centro de Convenções na sexta-feira. Era uma das primeiras na fila do Feirão Caixa da Casa Própria, que termina neste domingo. Queria aproveitar os bons ventos que - depois do susto da crise econômica, no final de 2008 - agora parecem soprar outra vez no setor da habitação.

"Tive um aumento de salário e comecei a procurar. Faz seis meses que estou pesquisando", conta a vendedora, que paga R$ 300 pelo aluguel da casa onde mora com a filha, em Jaboatão dos Guararapes. A estabilidade econômica e a queda dos juros (sem esquecer do lançamento do programa Minha casa, minha vida) têm feito mais gente agir como Rose. Em Pernambuco, somente a Caixa Econômica assinou 4.269 financiamentos imobiliários entre janeiro e abril deste ano.

Na comparação com o desempenho dos quatro primeiros meses de 2008, houve um crescimento de 122% no número de contratos fechados. A média era de 52 por dia, que deve ter subido agora com o feirão. O gerente regional de Habitação da Caixa, Luiz Byron, lembra que muitas pessoas vão à feira depois de já terem pesquisado, com os documentos. "Outros chegam e começam a olhar, vão ao local da unidade olhar, voltam depois, fazem reserva", conta.

Com as atuais opções em vigor no mercado, a troca do aluguel pela prestação do financiamento está mais viável, dizem os especialistas em habitação. "Os problemas do crédito imobiliário sempre foram a taxa de juros e a inflação. Hoje, estamos chegando a um ponto de equilíbrio", afirma Aires Fernandes, advogado especializado na área imobiliária. O presidente da Associação Nacional de Mutuários e Moradores (ANMM), Décio Esturba, ainda reclama dos juros, mas reconhece que a situação melhorou.

"Entre pagar um aluguel e comprar a casa, é melhor comprar. O aluguel nunca vai retornar. Mas é preciso pesquisar muito antes, tentar negociar a questão do juros", destaca Esturba. Ele destaca que a melhor opção sempre é comprar à vista, mas que o trabalhador não tem outra saída a não ser o financiamento. Sendo assim, vale se esforçar para pelo menos juntar um pouco de dinheiro antes para dar uma entrada. Quanto menor o valor financiamento, menores os juros e menos tempo para pagar.

Detalhes - O Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec) disponibiliza em seu site (www.ibedec.org.br) o "manual da casa própria", com dicas para quem quer sair do aluguel. Os técnicos do instituto destacam que, ao fazer uma poupança de um ano com o mesmo valor que pagaria a prestação, dá para economizar dois anos no prazo de pagamento do financiamento. Outro ponto importante, reforçado por Décio Esturba, é saber exatamente o tipo de imóvel que se quer comprar.

"Às vezes, compensa pagar uma prestação um pouco mais alta e comprar um imóvel maior. Um casal jovem compra um apartamento só com um quarto. Pouco tempo depois, a mulher engravida. Não dá para aumentar o apartamento e o financiamento vai continuar", exemplifica o presidente da ANMM. Esse é um problema que a funcionária pública Aldeci Nagipe não pretende enfrentar. Pagando aluguel há oito anos, ela ainda não sabe se vai comprar apartamento ou casa. O que sabe é que não quer se apressar.

Dicas úteis antes de comprar

- É preciso checar a construtora e a imobiliária que intermediam a compra. A dica vale tanto para imóvel novo, quanto para usado.

- Peça toda a comprovação de que o imóvel está legalmente registrado e que obrigações com o poder público e o condomínio estão em dia

- Não queira colocar o carro na frente dos bois. Analise se o imóvel cabe no seu bolso. Para isso, a prestação mensal não deve passar de 25% da renda familiar

- O dinheiro do financiamento conta juros e por isto não tome um empréstimo para comprar uma coisa além de suas necessidades e possibilidades

- O ideal é ter um terço do valor do imóvel para dar entrada antes de contratar um financiamento. Para especialistas, 15 anos deveria ser o prazo máximo

- Compare bem as taxas de juros. Elas podem variar bastante de banco para banco

- Sempre que tiver dinheiro sobrando, decorrente de férias vencidas, 13º salário ou outros, use-o para amortizar o saldo devedor do financiamento

- Lembre-se de que existem custos com a transferência de propriedade doimóvel e também para o pagamento de Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI)

- Antes de escolher o imóvel, projete sua vida em um prazo de oito anos. Estará solteiro, casado, com filhos?

- Vá ao local da futura moradia em horários diversos, verificando com os vizinhos se existem inconvenientes, infra-estrutura e serviços (escola, transporte, padaria, supermercados)

- Se o imóvel é usado, verifique se há ações propostas contra o proprietário e, em caso positivo, saiba se a dívida compromete o bem. Para isso é necessário solicitar uma certidão junto ao Forum Central e na Justiça Federal

- Para imóveis na planta, é importante guardar todos os panfletos de publicidade do imóvel, garantindo assim que a empresa cumpra a oferta

- O cronograma de obras e visite, se possível, periodicamente o local. Verifique se consta no contrato multa por atraso na entrega

- Solicite uma minuta do contrato e havendo dúvidas quanto a alguma cláusula, procure um advogado de sua confiança ou o Procon

- Leia atentamenteo contrato certificando-se de que as cláusulas são as mesmas da minuta. Risque os espaços em branco que existirem

Seis maneiras de sair do aluguel

1) Compra à vista

- É preciso fazer uma poupança durante alguns anos. A complementação da poupança pode ser obtida com o saque de eventual conta do FGTS

- A vantagem é que você irá comprar um imóvel à vista, sem dever nada a ninguém. O valor que você pagaria num financiamento ou consórcio você poupa

- Por outro lado, se tiver qualquer problema durante o prazo da poupança, você pode simplesmente parar de poupar, demorando mais tempo para comprar

2) Compra direto com a construtora

- Na aquisição de imóvel na planta é firmado um contrato onde o preço do imóvel é dividido em parcelas durante a construção e após a entrega do habite-se

- O pagamento do preço é feito durante a construção e o preço final do imóvel sai mais barato. Em geral, quando o imóvel fica pronto, vale mais do que o preço pago

- A desvantagem é a demora de 2 a 3 anos para entrar no imóvel, além do risco da construtora vir a falir, como no caso da Encol (42.000 compradores prejudicados)

3) Condomínio

- Um grupo se reúne para comprar um terrenoe contratar uma construtora para erguer um prédio. A obra será tocada conforme as disponibilidades de caixa do condomínio, podendo ser paralisada caso haja algum revés econômico

- A vantagem está em construir a preço de custo e, quando entrar na posse do imóvel, a pessoa nada estará devendo a ninguém

- A desvantagem talvez seja a demora de 4 a 6 anos para a conclusão do prédio, além dos problemas de inadimplência junto ao grupo

4) Consórcio

- As pessoas pagam parcelas mensais por até 120 meses e vão sendo sorteadas uma a uma para receber um valor pré-determinado (carta de crédito)

- Quem é sorteado no primeiro terço do prazo contratual tem um imóvel disponível pagando apenas cerca de 15% a mais do que o preço à vista (taxa de administração)

- A desvantagem fica por conta de quem é sorteado no fim do contrato, porque terá pagado por um imóvel durante 120 meses sem usufruir dele

5) SFH - Sistema Financeiro da Habitação

- As taxas de juros são de até 12% ao ano. O reajuste das prestações pode ser mensal e vinculada a índices de inflação, proibido de se pactuarem contratos com reajustes vinculados à categoria profissional do mutuário ou à sua renda familiar

- O FGTS atende quem ganha até 10 salários mínimos; a Poupança financia quem ganha mais de 10 salários mínimos; e, o FAT que é normalmente direcionado a financiamentos para as classes média e alta

- As vantagens são obter crédito a juros menores que os praticados no mercado comum e poder usufruir o imóvel de imediato

6) Sistema Financeiro Imobiliário

- Os financiamentos são feitos com recursos dos próprios bancos, destinados para compra de primeiro imóvel, segundo imóvel ou até imóveis comerciais

- O diferencial é que os financiamentos feitos nesta modalidade podem ser para aquisição de um segundo imóvel ou de imóvel comercial

- Quanto maior o prazo, mais juros serão pagos 

Fonte: Diário de Pernambuco

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